Angústia, Ansiedade e Medo na Realidade Percebida

 É entendido que a ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes a fim de capacitar o indivíduo a tomar medidas para enfrentar ameaças.

O medo é a resposta a uma ameaça conhecida, definida; já a ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, vaga, ou mesmo imaginária. A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações potencialmente danosas, como punições ou privações, ou qualquer ameaça à unidade ou integridade pessoal, tanto física como moral. Desta forma, a ansiedade prepara o corpo e a mente a tomar as medidas necessárias para impedir a concretização desses possíveis prejuízos, ou pelo menos diminuir suas conseqüências. Portanto a ansiedade é uma reação natural e necessária para a auto-preservação. Não é um estado normal, mas é uma reação normal e necessária para a sobrevivência.

A ansiedade e o medo são velhos conhecidos da humanidade, desde os tempos mais remotos.

Porém a ansiedade generalizada na realidade contemporânea talvez não seja apenas um indicador da competitividade, da falta de tempo e da agitação do dia a dia. É também um indicador da desumanização do indivíduo quando inserido no contexto da sociedade contemporânea, em que é notável o crescente aumento de incidências de casos de ataques de ansiedade e crises de pânico na população em geral. Freud entre outros já apontou o problema em seu “Mal Estar na Civilização” sob um ponto de vista a meu ver, vindo de Schopenhauer em “O Mundo como Vontade e Representação”.

Zygmunt Bauman também discursa sobre o status quo vigente em “Vida para Consumo”, entre outras obras de teor semelhante (fica a recomendação de leitura).

Talvez também tal ansiedade seja fruto de uma constante política do medo, na qual políticos, governos e corporações agem em conjunto – de forma consciente e organizada ou não – para manter a população sob controle de forma a extrair o único recurso natural, que devido ao relativo (muito relativo) sucesso da raça humana – é abundante hoje em dia e não escasso (como o petróleo, minérios, madeira e água potável, por exemplo) – a força de trabalho e a criatividade humana.

Escassez e abundância são dois fatores determinantes para tudo que existe em nossa realidade em comum, na qual estamos todos inseridos, onde todo ser vivo tem seu sentido de auto-preservação e perpetuação, em uma constante busca por prazer e realização de sua vontade, e evitando a dor e o sofrimento. Parece óbvio não?

A sensação de prazer e realização está diretamente relacionada a um sentimento de abundância, seja de saúde, vida social (família, amigos, namorada), bens materiais e conforto, e sim, tempo para desfrutar a vida (ah, final de semana, feriados, férias!).

Já a dor e o sofrimento tem muito a ver com privação e necessidade, que por sua vez gera medo e ansiedade frente à escassez – de saúde, vida social, bens materiais, tempo livre.

escassez é o princípio que rege o valor das coisas em nossa sociedade, o medo é a força motriz que alimenta tal senso de escassez em relação às coisas, real ou não, que pode ser utilizado com facilidade como subterfúgio para manipular ou mesmo gerar uma situação.

Pense a respeito sobre o efeito do contraste medo e escassez VS felicidade e abundância.

É provável  que isso faça surgir em você uma sensação de necessidade e escassez frente a realidade de medo, quando comparada a um estado de felicidade.

Por exemplo, imagine uma situação imaginária: você volta cansado do trabalho ao fim do dia, liga a TV, abre o jornal ou ouve o rádio (se você tem mais que trinta anos, provavelmente você ainda ouve rádio de vez em quando. Caso contrário, você pode estar se até mesmo se perguntando… “Quem ouve rádio?”).

As notícias não são nada boas. O tema é sempre o desemprego, a inflação, a queda na bolsa (pra que diabos insistir nessa idéia depois do que aconteceu na década de 30?), a violência, crime, e para os mais interessados na vida alheia que em seu próprio (desperdício de) tempo, as notícias sobre a vida das celebridades. Nos intervalos, há uma infinidade de ofertas de produtos e serviços, como seguros, automóveis, alimentos, celulares e tudo o mais que sugere a possibilidade de uma vida melhor e mais fácil, apenas por…

Não menos importante é notar a competitividade como força motriz para o desenvolvimento humano em suas diversas esferas. Há  até mesmo quem defenda a idéia de que somente as grandes guerras impulsionam avanços tecnológicos significantes. Mas será mesmo que Einstein pensou que o trabalho de sua vida culminaria em Hiroshima e Nagasaki? Ou que Santos Dummont e os irmãos Wright estavam planejando construir uma máquina de guerra voadora? Ou estariam eles ingenuamente colocando sua criatividade na busca por um sonho? Sonhos “banais, infantis e fantasiosos” como energia limpa infinita e a possibilidade de vôo para macacos que desceram de seus galhos?

Por outro lado, é notável o avanço em áreas como a Informática e a Comunicação (principalmente o advento da internet) realmente abrem portas para o pensamento livre, a liberdade de expressão e a colaboração online (esses últimos seriamente ameaçados por planos como o SOPA e o PIPA); em contraste com o óbvio retardamento (sim, retardamento) da pesquisa e avanço em áreas como energia alternativa e abundante (solar, eólica, etc), devido em grande parte à falta de interesse, para não dizer conflito de interesses de governos e indústrias (petroleiras, automobilísticas, o lobby envolvido, etc) em relação a fontes de energia sustentáveis, em uma situação na qual sustentabilidade tem sido um conceito muito utilizado em vão por empresas, instituições bancárias (o que entidades que vivem de débito e juros tem a ver com sustentabilidade afinal de contas?), e pasmem… montadoras, petroleiras e mineradoras aderiram ao lema. Sustentabilidade virou moda, termo técnico vazio de significado em marketing, como subterfúgio para manter o status dessas perante o olho público e o valor alto para produtos escassos (recursos naturais finitos).

É urgente também perceber o urgentismo (é uma palavra?) incutido na rotina de pessoas, empresas e tudo o mais. O importante é correr, estar “na correria”. Atrás do quê?

“Na sociedade contemporânea, somos treinados desde a infância a viver com pressa. O mundo, como somos induzidos a acreditar, tornou-se um container sem fundo de coisas a serem consumidas e aproveitadas. A arte de viver consiste em esticar o tempo além do limite para encaixar a maior quantidade possível de sensações excitantes no nosso dia-a-dia. Essas sensações vêm e vão. E desaparecem tão rapidamente quanto emergem, seguidas sempre de novas sensações a se perseguir. A pressa – e o vazio – é fruto disso, das oportunidades que não podemos perder. Elas são infinitas se acreditamos nelas.” – Zygmunt Bauman

Também é possível ouvir o eco de Schopenhauer na voz de Bauman quando Schopenhauer afirma que: “O Mundo é minha Vontade. O Mundo é minha Representação” – frase de fazer inveja até mesmo a Neo, de Matrix.

Além do mais, em um mundo onde tudo é urgente (que requer ação ou medida imediata), o que não é urgente?

Urgente torna-se banal, torna-se regra. Vejamos alguns exemplos fictícios (uns mais que outros):

Um asteróide de enormes propoções se dirigindo à Terra a uma velocidade superior à barreira do som é urgente, pelo menos para os terrestres.

Um diagnóstico de uma doença em um ente querido é urgente para os familiares e amigos.

Saber se o presidente da companhia prefere o café com uma ou duas colheres de açúcar também é urgente, mais ainda aos olhos daquele puxa-saco.

Em seu dia a dia, pode ser urgente que você entregue o relatório antes das dezessete horas para aquele chefe que passou a manhã inteira navegando na internet, saiu para almoçar com um cliente às onze da manhã e voltou às quatro da tarde, a tempo de te pedir para preparar o relatório “com urgência”.

Saber que um jogador de futebol está com problemas de saúde e vai se aposentar antes que o esperado, também tem caráter de urgência para o torcedor fanático, e mais ainda para o clube que lavou milhões na aquisição do passe do atleta.

A realidade realmente pode ser relativa no que se refere ao quê realmente é “urgente” em sua vida.

Esse urgentismo, a expectativa, a ansiedade, o medo generalizado são fatores usados para manter governos no poder, instituições financeiras e religiosas – ou religiosas e financeiras  – em suas posições estabelecidas às custas de clientes e fiéis, ao passo que mantém o indivíduo em um estado de “suspensão do juízo” permanente frente a tantas outras coisas de caráter “urgente”.

Esse senso de escassez – de dinheiro, de oportunidades, de tempo, ironicamente alimenta uma forma de pensar, de viver, no qual apenas o que é escasso tem valor. A velha lei da oferta e demanda. Talvez em algumas décadas isso mude, se itens como água e ar – tornarem-se escassos – justamente por esse senso de escassez que move tudo e todos.

Me veio à mente uma visão aterradora. Se a Guerra do Petróleo, sim estou falando do Iraque – desculpem-me os Americanos Republicanos radicais – gerou tanta repercussão e horror, a Guerra da Água Potável vai fazer esse evento parecer uma frivolidade. Isso sim, dá medo. Ao passo que o petróleo sustenta uma invenção do homem – a sociedade contemporânea e toda sua estrutura – desde a principal fonte de energia utilizada no transporte, a instituições financeiras, cuja função é basicamente gerar lucro e criar(!) débito; a água sustenta a vida. Ao comparar as duas coisas, é espantoso como a Guerra do Petróleo de repente se torna banal.

É notável também uma crescente sensação de inadequação e inaptidão do indivíduo VS sociedade –  fomentadas fervorosamente por grandes corporações e instituições voltadas ao mercado profissional (que não merecem o título de Educacionais), no qual o indivíduo em si torna-se seu próprio produto, com a introdução de conceitos como itens “indispensáveis para seu progresso”. como uma estratégia infalível de “marketing pessoal”, um anúncio invejável (Curriculum Vitae, sem um você não é ninguém), e embalagem impecável, ou seja, parecer ser é mais importante que ser – em todos os sentidos.

Isso é visível em revistas e campanhas publicitárias onde são anunciados corpos idealizados, uma vida que nem de longe denota qualquer tipo de privação ou dificuldade, a cultura do sorriso perfeito, o culto às celebridades, e todo o universo do glamour e do status que sustenta o senso de inadequação do indivíduo perante uma suposta “realidade ideal”.

E mais atualmente, seu perfil no Facebook e outras redes sociais onde você mantém em seu “network” quase 3000 amigos, ainda que só conheça de fato, doze. Onze, depois que aquele amigo te excluiu porque não gostou que você publicou a foto dele com uma ex-namorada que ele conheceu no Facebook, com quem saiu durante dois meses.

O conceito de redes sociais em si não é de modo algum um problema. É simplesmente um meio, uma ferramenta de convívio social. Redes sociais apenas refletem o modo de vida de uma sociedade inteira, que prefere a presença online e 140 caracteres, um botão “curtir”, e “compartilhar”, à presença física e uma conversa de qualidade. Talvez pela segurança oferecida no modo “conectar e desconectar”, onde não há o compromisso de se expor mutuamente (e assim colocar-se em situação vulnerável) ao discutir uma idéia qualquer que seja.

É importante mencionar também como somos induzidos a buscar sucesso e vencer na vida a qualquer custo, em uma busca desenfreada por reconhecimento, na forma de dinheiro, bens materiais e status social; e aptidão, onde um bom caráter é secundário e muitas vezes até irrelevante em relação à sua “experiência profissional” e “grau de especialização”. Um produto que consome outros produtos (inclusive outros produtos humanos como ele).

Note que a crítica não é em relação ao trabalho humano em si ou na busca por aperfeiçoamento em uma determinada área, que é louvável em si, mas ao propósito do emprego da força de trabalho e criatividade de um indivíduo, que é em suma, a capitalização de recursos humanos em prol do progresso e do desenvolvimento não primariamente para o indivíduo propriamente dito, mas para seus empregadores e contratadores, que diretamente ou indiretamente servem a companhias multinacionais e governos, os quais são codependentes em seus interesses, que por sua vez trabalham para se perpetuar no mercado e no poder, muitas vezes sem maiores contribuições à sociedade como um todo e muito menos para indivíduos em si.

Qualquer brasileiro está ciente deste fato ao observar o quadro político do país em relação à indústria automotiva, por exemplo – a meu ver uma das mais nocivas ao desenvolvimento de fontes de energia alternativas e/ou outros meios de transporte mais econômicos e menos agressivos ao meio ambiente. Tais companhias são bem vindas por oferecerem oportunidades de emprego e desenvolvimento tecnológico ao local onde vai se instalar, em troca de “benefícios fiscais” e a mão de obra barata local, gerando uma codependência entre a companhia e seu staff de “colaboradores”, ou seja, a comunidade local, em nome do “progresso”.

Para ilustrar, veja um mapa da rede ferroviária do Brasil e compare com um mapa da rede rodoviária. Não seria mais racional investir em linhas ferroviárias?

Também é útil fazer um breve cálculo sobre o custo de seu veículo e seus gastos. IPVA, Seguro Obrigatório, DPVAT, combustível, multas, seguro particular. Adicione as tarifas de estacionamento, dos pedágios nas vias concessionadas (não sou advogado, mas isso a princípio não fere o direito de ir e vir?)

É um ecossistema enorme onde todos ganham. Governo, montadoras, petroleiras, concessionárias, e só você perde.

Uma idéia que para mim é um absurdo na minha opinião de leigo, é a seguinte:

Para que serve um Governo (que supostamente devia ser responsável pela manutenção das estradas e vias públicas, uma vez que isso faz parte do IPVA), que repassa a responsabilidade para concessionárias como a Ecovias, que fazem a manutenção das vias (como nenhuma rodovia federal ou estadual tem, diga-se de passagem), mas cobram uma tarifa de R$18,50(!) em um único trecho (Anchieta-Imigrantes)?

Apesar de tudo, a indústria vai bem, graças também a quem quer comprar aquele carro 0km o ano que vem e pagar um valor irracional pelo veículo, fora as taxas, impostos e tarifas relacionados a esse.

O trabalho nesse contexto, onde ele serve a um mecanismo social-político-econômico que o mantém dependente – e não seria exagero dizer escravo – não dignifica o homem, é um fator de alienação, como percebeu Marx, que acertou nesse ponto – uma vez que em seu tempo escasso (há até mesmo quem ache bonito não ter tempo pra nada), inclusive não tem tempo para a reflexão crítica de seu próprio entendimento sobre o mundo, uma vez que está sempre em busca de especialização e qualificação para se manter no mercado profissional, onde as oportunidades… adivinhou! – são escassas – e disponíveis apenas para os mais qualificados neste nosso Admirável Novo Mundo e suas alphavilles.

É interessante notar que o conceito de Qualidade e Controle da Qualidade do Processo é bastante utilizado nas indústrias para classificar e produzir peças e componentes que estão dentro das especificações e requisitos de um determinado fabricante. Peças dentro dos limites de controle e especificação seguem para o passo seguinte da linha de produção, e peças fora dos limites de controle e especificação são recicladas ou descartadas.

Qualquer semelhança com nossa “sociedade de consumo”, não é mera coincidência, infelizmente.

Por exemplo, você que adere a um estilo de vida mais simples, não conta com as miraculosas linhas de crédito, não optou por um cartão de crédito “Gold” ou “Platinum”, não movimenta capital, ou se movimenta o faz através de dinheiro apenas (algo virtualmente impossível atualmente, não pela questão da praticidade, mas por questões de rastreabilidade), está discretamente descartado. Não está dentro dos limites de controle. Você não passou no Controle da Qualidade.

Até então foi contemplado apenas o que diz respeito à esfera do aqui e agora, da realidade material. O quadro geral parece ainda pior quando consideramos uma possível via de crescimento espiritual e de (no mínimo ) consolação, e nos deparamos com grupos religiosos extremistas, para os quais as leis impostas sobre eles hão de ser válidas para todos os outros – em uma evidente perversão do pensamento de Kant e seu princípio de verdade universal, e até mesmo a perversão do preceito básico de toda e qualquer religião, que simplesmente consiste em uma conduta ética e moral para se viver em harmonia com si mesmo e com o todo (alguns dizem Deus, Alá, o Espírito, Deuses, Grande Deusa, e outros simplesmente dizem Amor) e certamente em conformidade com o conceito de Controle da Qualidade humana.

É degradante observar a completa falta de respeito para com o próximo sob a forma de agressões e privações nas mais diversas formas – desde a idéia do dízimo a atos como quebrar aos pontapés os objetos que simbolizam o sagrado para muita gente – como no caso Edir Macedo VS Catolicismo.

Visto isso, a intolerância religiosa é em si um absurdo, no sentido lógico formal da coisa.

Mais que isso, o mecanismo é basicamente o mesmo em instituições religiosas desse tipo. Medo e escassez. Pressupõe-se que o indivíduo não está, mas é a priori um condenado, e deve ser absolvido por intermédio de um ministro, padre, pastor ou doutrina, reservada aos privilegiados, a uma elite seleta, que deve guiar (ou impor a) os iniciados em sua jornada de absolvição e salvação (de quê? qual é o pecado original? Seria esse o conhecimento?)

E em uma realidade em que medo, escassez, angústia e ansiedade estão sempre presentes (e até reforçados em algumas vertentes religiosas) há um mercado abundante para quem oferece um pouco de consolação e/ou salvação em troca de aceitação incondicional de uma Verdade, e alguma caridade à instituição, junto a um serviço de marketing livre de qualquer custo, sob a premissa de que tais atos são em si, um “investimento a longo prazo” – uma vida, uma alma dedicada ao serviço e à propagação da palavra de uma instituição, que supostamente detém a autoridade sobre toda e qualquer virtude humana e a bem aventurança na vida e no pós-vida.

Mais trágico ainda é o fundamentalismo religioso, como a suposta jihad da Al Qaeda VS Sociedade Judaico Cristã do Império Norte Americano. Ok, este é um tema bastante controverso até hoje, em relação ao suposto envolvimento da Al Qaeda no atentado de 11 de setembro ou um mero bode espiatório para os interesses de uma minoria elitista (talvez de ambas as partes) para obter controle sobre… isso mesmo, um recurso natural em escassez – petróleo.

A religião, que poderia então servir como consolação à angústia existencial e às aflições do dia a dia, é transformada também em mercadoria por instituições e indivíduos visando ganho material, visibilidade e/ou ambos.

Ser livre também significa escolher suas crenças, o que não é apenas um privilégio, mas um direito. Com um pouco de respeito, tem espaço pra todo mundo. Sim, acreditar em abundância é melhor que acreditar na escassez, desde que ambas estão sujeitas à percepção do indivíduo ante a uma realidade apresentada, enquanto o mundo é mera representação, de acordo com Schopenhauer e  “compartilhada” (termo bem Facebook) pelo movimento existencialista na Filosofia.

Portanto não é frutífero discutir religião em si, desde que praticantes de uma religião ou outra mantenham suas crenças para si, sendo que a Verdade é para todos, independente de qual seja essa para você ou para seu vizinho. Até o Ateísmo, que nega a existência de Deus, não deixa de ser um sistema de fé. Uma fé construída sobre os paradigmas da ciência e da racionalidade humana.

Discutir religião sob um ponto de vista racional e lógico, seria abrir mão do mistério e do sagrado em detrimento a uma verdade absoluta, universal, porém não palpável, não verificável e não falseável (se vista sob a perspectiva de Thomas Kuhn).

Ao passo que a própria Fé – (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério, objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão – torna-se adversária de certa forma, a qualquer possibilidade de investigação, de reflexão crítica, ainda que ao mesmo tempo refúgio para uma consolação, uma certeza em um mundo de incertezas.

No campo político-social também é importante sustentar o Estado laico, ou seja, neutro em relação às questões religiosas. É até mesmo perigoso permitir que instituições religiosas se infiltrem no Estado favorecendo políticos adeptos a uma determinada religião e vice-versa, uma vez que isso abre portas para uma doutrinação (mais disso ainda?) totalmente irrelevante no sentido prático da convivência social. Mas graças a Deus, isso não acontece no Brasil, não é mesmo?

Se formos pessimistas na abordagem, podemos concluir que na melhor das hipóteses, estamos fu… por todos os lados.

Porém com um pouco de boa vontade e uma boa dose de reflexão, podemos simplesmente escolher mudar.

Vamos direto ao ponto.

A intenção aqui não é gerar mais medo, preocupação e ansiedade (indignação, insubordinação, e questionar as instituições e suas “autoridades” são efeitos altamente desejáveis, no que diz respeito a buscar outras alternativas de realidade que vivemos em comum – sociedade).

A idéia básica do que está sendo proposto é reunir pensamentos, filosofias, Filosofia e questionamentos acerca dos mais diversos temas que sejam fonte para reflexão na busca por possíveis vias alternativas para o auto conhecimento e a transformação individual enquanto realidade subjetiva, ou seja, na forma como se percebe a si mesmo e o mundo, que por sua vez pode gerar uma mudança significativa na realidade percebida em comum acordo – a sociedade.

A intenção é disponibilizar um conteúdo acessível e com a linguagem mais simples possível, sem “filosofês”, “psicologuês”, ou termos técnicos além do estritamente necessário para expressar as idéias, dentro das limitações dos autores do site. Às vezes é realmente difícil explicar um conceito sem apelar para termos específicos no contexto. Vide Hermenêutica; porém também é prudente observar que certos artifícios de linguagem favorece somente a uma suposta “elite do saber”; cuja motivação última é manter o controle de qualidade de textos produzidos em relação a uma suposta “interpretação de texto correta” a fim de favorecer exatidão.

Na verdade, tudo o que te faz pensar e refletir é válido. Visto que não há necessidade de uma verdade absoluta, porque não incentivar a criação de uma verdade pessoal em contrapartida?
Ninguém, abolutamente ninguém é dono da verdade. Sejam padres, cientistas, filósofos, psicólogos, matemáticos, físicos, e o autor desse artigo.

Ainda que o preceito máximo de que “…sua liberdade termina onde começa a do próximo” é extremamente válido. Inclusive para religiosos e doutrinados fanáticos que impõem sobre si e sobre outros uma verdade alheia – da interpretação do pastor, padre, doutor, psicólogo, filósofo, linguista, biólogo evolucionista, etc.

TUDO é uma questão de diálogo e troca de idéias. Ou não.

Em nossa rudimentar forma básica de comunicação enquanto civilização – linguagem oral e escrita, sons, imagens, símbolos – tudo é limitado e subjugado à interpretação de um segundo e /ou um terceiro.

Cabe a cada um criar e recriar sua própria realidade interpretativa, sem necessidade de “autoridades”. (Por mais que digam que isso é necessário, no fundo tal “necessidade” é apenas o resultado de uma projeção de expectativa ante a uma nova perspectiva).

Por isso, que além do âmbito social, é importante também abordar questões pessoais, estritamente pessoais. Talvez até mesmo mais importantes para a criação de uma realidade subjetiva ante a uma realidade imposta.
A vida em si sob os mais diversos aspectos. Trabalho, relacionamentos, espiritualidade, criatividade, e por aí vai.

O conceito apresentado é fundamentado em um preceito bem simples:

Só você pode mudar a sua vida. Só você pode transformar sua realidade. E só assim você pode transformar a realidade que temos em comum, se assim o desejar. O único problema é que a realidade em comum – a sociedade – pode não querer ser mudada, assim como pode te excluir (às vezes permanentemente) se incomodada demais.

Porém, ao melhor estilo Gandhi, é possível escolher não participar dessa realidade, em uma resistência passiva, a ponto de transformá-la. Não acredita?

O que acontece a um banco quando não tem clientes?

Se um candidato é eleito com 5% de aprovação versus 90% de votos nulos (não contabilizados, ou simplesmente ignorados); isso constitui uma democracia?

Se em um determinado ano fiscal, 85% dos “contribuintes” fossem inadimplentes por opção (e reação), o que aconteceria?

Se 70% da produção das grandes montadoras ficar no pátio, o que vai acontecer?

“Mas não é isso que acontece na realidade” é a única resposta (evasiva) de muitos, mas qual a resposta para tais questões? Tudo depende de você, no final das contas.

E qual realidade? A sua? A minha? A dele? Ou a de todos nós?

E ainda assim, mesmo inserido nessa realidade em comum, onde você é apenas parte de um todo muito maior, é possível manter uma realidade subjetiva onde quem tem o controle sobre o que é mais importante na sua vida não é nada e ninguém a não ser você mesmo.

Isso é livre arbítrio, uma das melhores coisas da vida, e é de graça!

Afinal, nas palavras do filósofo utilitarista John Stuart Mill – “… é preferível ser um Sócrates insatisfeito a um tolo satisfeito”.

Ainda que tenham muitos que acreditam que a “ignorância é uma bênção”.

Como sempre, você escolhe em quê acreditar, ainda que há quem acredite no inverso e prefira uma existência alternando entre os papéis de doutrinador e doutrinado, agressor e vítima, consumidor e produto, subjugado entre o bem e o mal no jogo da vida, do crédito e débito financeiro e do crédito e débito com “o Criador”, porque… “não é assim que as coisas são”.

Mas em última análise, as coisas não são o que você faz delas? E se realidade é a realidade de comum acordo, quem a constrói e a sustenta? “Todos nós”, não seria a resposta mais óbvia?

Mas se você acredita que é possível escolher o quê você acredita, e quem você quer ser, e o que quer para sua vida, a intenção aqui é oferecer ferramentas e informações que podem ser úteis para ajudá-lo em sua reflexão sobre o entendimento de si mesmo e o mundo, não um conjunto de regras de conduta e valores morais a serem seguidos à risca.

Muito pelo contrário, é um ponto de encontro para quem busca mais autonomia e liberdade de pensamento para uma possível evolução de consciência e desenvolvimento pessoal ante a uma realidade que é degradante em si quando submetida a uma reflexão crítica, que por sua vez também não passa de uma ferramenta entre outras  na complexidade do maquinário da existência humana (reduzida à condição de peça de um maquinário?).

Afinal, quem precisa de pastor é cordeiro, cujo destino é ser servido ao molho de hortelã. (Desculpe o trocadilho, sem ofensa, não resisti).

Lembrando ainda que todo o conteúdo do site é de opinião pessoal do autor do mesmo, que foi criado com o único propósito de enriquecer sua experiência enquanto ser humano pensante, livre e com um potencial criador infinito, em suas diversas áreas de interesse – não necessariamente vinculados a nenhuma área do saber (Matemática, Física, Biologia,  Filosofia, Psicologia, Religião), e totalmente a serviço de seu potencial criador/criativo enquanto ser humano, que acredita que:

Sim, tudo pode ser melhor para todo mundo.


Let Go

Bad news… love does not exist in the real world. But wait! It is nothing like it seems.
Don’t fall into pessimism, and keep reading.

Let me tell you how I see things.

Love is an inner state, and when present, you feel happy, alive and free. You feel great about yourself and about life. Whatever it comes, you take it. And great things happen. No fear.

The opposite of love is exactly fear, upset and anxiety. When present, you close yourself inside yourself, lose creativity and any ability to see things clearly. You get into a tunnel vision of how things are and how things should be, and you interact with people, and also with the person you love in a way that almost always makes the situation worse.

It is caused by fighting and resisting what happens. To see this in your life, remember a situation you were really upset. And imagine if somehow you were at peace when it happened.

There would be no upset, because it is not caused by what happens. It is caused by how you relate to circumstances, by fighting and resisting what happened or is happening. By simply stopping fighting and resisting, the upset disappears.

To let love in and create a life that works – and so all the beautiful things in this life can be seem as they deserve to be seem, like the person you love – it may be necessary to stop fighting and resisting. It is something like “letting go”. Just breathe. Really.

To let go is to free yourself from fear, upset, anxiety and anger. The moment you just let go, everything seems to change, and you start seeing the situation differently. You become creative and find solutions that you haven’t seem before.

To let go is not to be indifferent to life and people. It is exactly the opposite. It is necessary to love strong and let go of expectations for how life and people should be, and make peace with the way everything is.

Respect different points of view, lifestyles, life experiences. Especially hers/ his.

Find what you’re resisting, and then give it full permission to be there. No criticism, no self defense mechanism. If you’re in fear of losing a relationship, be willing to lose it. If you’re resisting the way someone is, give the person full permission to be that way. Be willing for anything. Be open. Set yourself free inside. Then take whatever action you need to have your life to be great.

Keep in mind that letting go has nothing to do with your actions. It is that sacred inner peace you have in you.

It is your sacred haven that keeps you from falling apart when things get though and rough and it seems the world’s gonna end. Yet, there’s your mind, and your mind creates your reality. Tried and true. I’m not talking about seeing the world through rose-colored glasses. It is all about focus on what really matters to you in your life.

It is that special place you go in your mind when you need clarity to see what actions you need to take.

Per example, in your heart you can be willing to lose someone, but in your actions, it is great to do everything you can to make sure she feels loved and that you’re there to stay, and that she can stay and never leave if she wants so. It is some kind of unspoken commitment. Strong yet fragile, fragile yet strong.

There are a few steps of letting go that makes it easier.

The first, is obviously, trusting.
Trust in your truth, trust in the other person’s truth, and trust that no matter what happens, and whatever comes up, you will be okay. “Okayness” works wonders.

Some people think that “okayness” is lame, but actually it is the best you can do in a difficult situation. No euphoric happy(?) woo- hoos, but also no depressed I’m-gonna-drink-to-death thing. Just let the waves hit you. You are a rock, aren’t you?

Second, be willing to feel hurt. No, not stick to it, but be willing to feel all the hurt and not being okay with what the situation brings up. Be willing to feel not good enough, or even worthless. Contradictory?

See… the avoidance of  hurt is what makes you resist. Fear.
However, when there’s something much bigger than you hunting you, and it is a fight you can’t win, and there’s an abyss ahead, jump.
Learn to fly. Such things are emotions. Bigger than you, always hunting you and also what makes you learn to fly.

After all, it is only when you fall that you can learn whether you can fly.

That’s the beauty of it.

It has no logic, it makes no sense, yet it is meaningful. The most meaningful thing in life are emotions. No matter how much you disagree or argument over it with a “rational” view, you can’t deny it. Deep down, you know they drive you, and move you.
And for men, nothing like a woman to make you feel things you yourself don’t understand completely. In this realm, they are stronger, because they deal with it their entire lives, daily.
We men are “trained” to repress it. Trained to “get our shit together and walk it off”. Ok, it is possible, and I did it my entire life. But it has consequences, and you are actually loosing MUCH of life’s deeper meanings.

Maybe, another way to handle it is necessary. Surrender to it instead of fighting it.

Remember the waves and the rock thing? Forget about the rock. Ride the waves. Surf.

So find places, people, and yes, a very special someone who makes you feel good, positive emotions, more than negative thinking (knowing that you’ll probably have both sometimes) and move quietly and calmly on your own. And also, accept that no one is perfect. We all have flaws and imperfections. Tolerance is underrated nowadays. It is important. Presence too. Being present is all you can do in your daily life. Be wherever you are, with whoever you are, BE there.

Now, for singles and people in complicated relationships:
Dear ladies and gentlemen. Step out of the game of creating a mystery, playing hard to get, acting like someone you’re not, playing tricks, mind games, heart games, and all the BS spread throughout our narcissistic culture. It works, sure it does. With the wrong people for the wrong people. It actually goes nowhere.
Make sure you’re not here in this life to take advantage on anyone. Physically, emotionally, financially. If you do, I really hope you end up sad and lonely, for that is what you deserve, so you can learn to be a better person  or continue fooling yourself into an empty life.

For me, it is important to be here full of butt-kicking-goodness-love-larger-than-life-kinda-attitude. Be willing to contribute to other people’s lives with all you can, and also receive goodness. Be willing to give first. And know how to receive. Be grateful for being alive, for meeting all the beautiful people you meet on your way, and treasure your loved one as the unique, beautiful in every sense of the word, one and only person she/he is.

The more you’re able to let go and flow with life, the more life takes care of itself. You may not always get what you want, but you can always be free inside. This private freedom, no one can take away from you.

Then you can find some peace and be effective in creating a life that is great, in your own terms of greatness.

 “You can’t always get what you want…
But if you try sometimes, yeah…
You just might find you get what you need”
R. Stones

Because “love actually” is all around. (great movie too)

I wish you the best.

Good morning, have a nice coffee, have a nice day, and work on your dream, daily, in order to have a great, meaningful, inspiring life.

D.


Solitude

Solitude is not when we withdraw from everything around us to feel life by ourselves and tune with our very core, our minds and hearts. This is Introspection.

Neither it is those situations we face in life when we really need an interesting conversation about anything, anything at all, with anyone, or someone special, and all we find is people who “don’t get it”, or just “can’t see it”, the way we see it and the way we feel it. It means you’re only and one. This is the universal principle of Uniqueness.

That emptiness, that ache in the chest we feel, when we remember someone we love or loved truly, and for one reason or another left us, or made us depart, might be described as solitude. It’s not. It is Missing.

Sometimes, there’s no one around. Like when you’re driving your way home at 04:00am on empty streets and avenues with no one on the passenger’s seat, listening to that sad song, tuned to that somewhat kind of blue radio station. This is not solitude. It is Circumstance.

Solitude is not like when there’s no one to talk, date, have fun, have sex, or anything alike. It is just Neediness.

Solitude is so much more…

Solitude is when we become aware we don’t have figured out our own self, our very essence, our dreams, our hope. Solitude is when we are all alone looking for the one thing no one can help us find… our individual path in this existence.

And maybe, you’ve already found your individual path in this existence and now you know it is completely up to you only to follow that path, and that also is Solitude.

Looking for it… knowing no one can find it, or follow it, but yourself… this is Solitude.

P.S.: Interesting how we get deep at subjects when we are mildly drunk… you get to a point where you can either sober up or fall into oblivion, because nothing seems to make sense at all.


The Bleeding

One of these days I was walking in the park near my house. It was an ordinary late afternoon, around 7:00pm. November. Summertime in south hemisphere on Earth. I was on my way to the market, staring to the leaves on the top of the trees, glowing against the “bluish crimson end of the day” sky. A cold breeze was blowing, and it felt like one of my childhood early mornings when I used to walk to school. I felt the fresh air in my nostrils, a sense of peace, a sense of euphoria at the same time invaded my mind, when I started kind of seeing my life as a picture, a movie, a story. And that very moment, it felt like… no, with a calmness, and excitement… I realized…

I realized there’s a bleeding inside me. A wound. An open gap throbbing deep inside my chest.

It’s been there forever. And it is the cause and was caused by my frustrations, victories, failures, conquests, denials, dreams…

It feels like it was tearing my heart apart, and start leaking, flowing in me, attempting to escape through my eyes, my ears, my mouth, towards the world, towards every friend, every adversary, towards them, towards you. And I have always felt kind of hungry, thirsty, not in a physical way, but IN me.

And this bleeding has always been my weakness, my strength, my doom, my gift.

When I was younger, and not long ago, to tell the truth, it used to hurt, to ache, but now… now I’m on my way to master it. It’s a continuous battle to control it, to contain it, to release it.

There are times, when it overpowers my will, much like a tidal wave that comes from the depths of the ocean. Devastating me, leaving me ashore naked and cold.

There are times when it feeds me. Ironically becoming a source of warmth, of blood, of life, when the wound itself is bleeding the most.

Sometimes it even becomes me, when I act fiercely toward something. Blood, sweat and tears as they say…

And this bleeding feeds me and keeps me always hungry.
And it burns me, and it fuels me.
It consumes me, and is consumed by me.

I don’t know. The only thing I know is that it flows in my emotions, my feelings, my thoughts, my ideas, my will, my decisions, my actions.

It is anger, which I must embrace and transcend it into power, it is passion, which I must turn to drive.
It is wild, and it must remain wild, for if I attempt to tame it, I would be killing it, killing my very self.
And sometimes, it is love. And then I would kill to protect my loved ones.

It is real and it is intense, yet it is invisible and unspeakable.

Is it what is called soul? Is it destiny?

All I know is that it is a force, which I must master, and harness it’s power. Either I do it, or I’ll be destroyed by it.

Like I said, it keeps me hungry, it feeds me. It burns me, it fuels me.

This bleeding will never stop. I shall drink my own blood.

I shall become my own blood. Feed from it, nurture my loved ones with it.


People like me…

People like me are always looking for something…

And it feels like this quest for whatever is going to be forever.

Is there anybody out there who feels like this? I mean…
Looking for something for so long, and you don’t even know what the hell it is.
Then you start reading all kind of books, watching all kind of movies, documentaries, everything.
You hang out with people and have fun, and talk about anything until 3am, and go home and nothing happens. I mean nothing significant changes in your view of life.

Nothing is gonna change my world… jay guru deva on…

I can’t help listening to this Beatles song in my head.

Actually people expect you to be the one who does that.
You are supposed to be the one who will change their lives. Sort of.

So you resort to your memories, and dreams, and reveries and daydreams trying to find what makes some particular moments so damn special. What is it that put a smile on your face when you least expect?

And it seems like your whole life is like a blanket made of pieces of beautiful fabrics of different colors and patterns sewn together, like those grandma used to make. A vast collection of moments that covers you while you sleep and dream about your yesterday, today and tomorrow.

Then you cover yourself up with this blanket and start writing, singing and playing your guitar, because by doing it, it brings you closer to the one thing you’ve been looking for… even when you can’t even name it, you still can feel it burning inside you. Dreams sometimes can be more “real” than the real thing.

And even if you’re singing and playing all by yourself, it feels so good, that after two hours or so, you feel pretty much energized (or exhausted and relaxed, depending on what you’ve been playing… pretty much like sex, I think).
Anyway, it makes you wanna go outside and take a walk and see if you actually see anything similar to what you’ve felt, in the “real world”. And then, you can’t find it.

It seems that sometimes its better living in a “dream world” than being in the “real world”.
And you start wondering if everyone and everything you know are not just figments of your own imagination, that what you perceive as real may not be real, just an expression, a projection of what you have inside of you, in your head, in your heart.

So maybe, only maybe… I am you and you are me and we are all together…

I think this is exactly what it is… to some extent, of course. Don’t mean to sound like a weirdo here.

But then again there are these fantastic moments you spend with some truly amazing people (that unfortunately are so rare nowadays) that pull you back to life with an intensity never felt before. And then you go out, and have a coffee or beer, and a long conversation about whatever.

And its so good to listen to these people, while you watch attentively to every gesture, expression on their faces, posture, words they use, their voices, their eyes…
How they raise their eyebrows, press their lips, look up or down…
You feel relaxed, paying close attention to the person in front of you.

They remind you why its so good to have both your feet on earth, right in front of them. Some people are like reminders to stay down to earth, not because you have to, uh… “get real”… but because its good, its great to be here and now.

And they too, are open to receive your world into them.
And then you, more than talk, actually communicate, more than that, get into an osmosis kind of thing. Communion. Religare. And they open their eyes wide and don’t move until you’re finished. Then they smile big.
I love seeing people smiling with sparkling eyes and nodding their heads. Its an amazing feeling of… “something very familiar yet very new is going on here”.

Love?

And it all comes to a paradox. I do value tremendously my solitude, my privacy, my space and my own things… and on the other hand, I really cherish these moments I share with such special people, when everything you have is right on the table (now I’m not talking about cel phone, cigarettes and beer, you know).

And every time I think about going out with someone (specially if I don’t know the person really well), I think whether its gonna be worth my time or whether I should do something better.

Unless… I’m dying for a beer and a laugh, of course!

If that’s the case, ok, I can enjoy 1 or 2 hours of interaction with anyone. No more than that. Most people are not really good in keeping my interest and attention. I know that when dealing with people I’m kinda picky, but not because I want to… it just happens. In fact, it doesn’t happen most of the time.

But well… what I really want here is finding a way to say thanks to every person that makes my life as amazing as it is.
And I think (and no, I don’t intend being cocky here…) the best way I can do it, would be making my time available to these people and make their lives amazing too for some moments or more.

For now I keep dreaming and writing and wondering in a mild hangover condition.

Well, I was drunk the other day and I was wondering about what the hell is this life for.
I was struck with an exquisite feeling of being a genius… I thought with myself… man! I am a genius! I have to write it down.

And this is the piece of crap I’ve found written in my notebook the next day…

Learning. Evolving. Growing.
Spreading the seeds.
Then it comes the harvest season.
The gathering of malt and hops.
Brew your ale carefully.
And have your beer with someone who did the same.

Enjoy it, share it, and so, you can do it all over again, and again, and again

Yep, not genius, just drunk… it feels a little bit embarrassing to confess, but… oh, whatever!

Be good!

I don’t love you. But I’m sure somebody out there does.


Of Bridges and Walls

Who are we? Who we are… Who am I? Who I am…

We, boys and girls with minds as sharp as clear winter skies and highly flammable hearts, we have will tempered like steel… still… emptiness, holes, in the places where WE ourselves were supposed to be.

Just blank space. And silence.

Or maybe it is just me.
Even with a clear mind, and a strong, though battered heart, the world is an unclear place and sometimes it’s hard to tell where you end and everyone else begins.
All I know for sure is that you do end somewhere and somewhere “they” begin, and in between is a bridge you are supposed to cross to find a place for yourself in someone else. And there are the ones who are supposed to cross to find a place in you.
But the part of you that knows the way across, or even how to see the bridge at all, is just a hole.

So you stay at home and look for something inside.
But before too long, you fill the gap, and the daylight and night time, with movies and drama, and conversations and booze, and music, and poetry, and books.

Then later with longer shows from the nice people you meet, where they make the pictures of the world we live in, and you take those pictures with you to life and try to use them to find and cross the bridge because eventually…eventually and inevitably…you look up one day and find that your eyes are filled with the eyes of a girl who sees you.

And you wanted someone to see you. Not like seeing you, and you seeing her. SEE you, so you SEE her.

But it’s just holes staring into holes and so…and so you are blind and the bridge is nowhere to be found.
Or maybe it is just that I am blind, because maybe it’s just me. And even though I feel filled to bursting with everything, I am empty of anything, or at least anything I can see, hear, smell and touch. Just more blank space. And silence. Void.

You start feeling like you have to protect yourself against this odd feeling… and instead of building a bridge, the bridge you can’t find, you start building walls. And these walls are so thick and heavy and tall… that later on your life, you start fearing them. It’s like being imprisoned in your very essence, your very individuality, your very private haven.

And when someone threats to pass through these walls… you secure the gates. And it demands a tremendous amount of energy. You gather every resource to hold the gates.
Because you know these walls can only be thrown down from the inside. None should pass. Your protection, your very being, your very private safe haven, your prison, the hole protected by walls thick, heavy, strong and tall… might crush you when they fall.

That’s how much strong the fear of intimacy is. That’s how much power you have to harness to truly be intimate with someone. And that’s why the other person must be as strong and powerful as you are.

And that’s why many of us still don’t know what love is.

The outsider might bring destruction. But she also might bring flowers. Might bring a gift. Might bring freedom from these walls.

And so it goes. One day is flowers, the next, a bomb. I decide to shut the gate tightly. I have the strength to do it effectively.

Besieged, I must gather resources so I don’t starve to death, and the void is famine.

This void, this bleeding inside me, feeds me and keeps me hungry. This fire inside me burns me and fuels me. It hurts, and as weird as it may seem, it feels great.

And then one day something is missing. Well, maybe not exactly missing but it just feels like I misplaced something. I don’t remember what it is, only that I have lost it.

I’ll find it. That’s my choice as a free man in a prison. I may be trapped, but I still have my clear winter sky mind, my heart – which I must gather together, and my will – tempered like steel over the years. That’s what I’ve been thinking. That’s what I’ve been feeling. That’s what I have being, so to speak.

And here I am… staring to these walls. I think I will throw them down. But I must grow stronger first. So they don’t crush me when they fall.

Then… I will build a bridge. And the bleeding will stop. Maybe…

But first… let me take a sip of that pint of red ale… looks delicious… and I’m thirsty again.


Into the Wild… In the land of Women

As usual, more usual than I’d like to, I didn’t sleep last night. I was just sitting on my bed, my back on the wall, my guitar on hands, thinking about these two movies I’ve seen – “Into the Wild” and “In the Land of Women”. I was particularly digesting some quotes from the characters of these movies. First, let’s talk about Alexander Supertramp (the coolest name I’ve ever seen) and his perception of life, love, loss, and everything related.

“Some people feel like they don’t deserve love. They walk away quietly into empty spaces, trying to close the gaps of the past.” – Alexander Supertramp (Christopher McCandless)

Have you ever seen any of these people walking on earth? Damn… I know a lot of these people. Actually, I was one of them until some time ago.

You know… that’s what they mean when they say “I need some space”, or “I have issues” when they break up with someone.
I mean, supposing they are being genuinely honest about the thing. Of course these clichés might mean something like “Damn, I’m just no that into you”, or “I have other people in the line”, or anything like that.

But supposing people are honest when they say these things… it’s an incredible fear of intimacy when entering a new relationship that takes over thoughts and feelings that drives these words out of their mouths. Fear of losing freedom, individuality, space, lifestyle.
I’ve met a girl who once said she was afraid to love. That kinda startled me. How the hell can someone be afraid to love? It is impossible. It’s a lie. A poor excuse for something else. Secrets. Everybody has secrets, and I don’t really need to know them, unless they wanna tell me. I prefer that people be honest with me, even brutally.

Ok… I’m curious, and this kind of thing really makes me wonder sometimes. But anyway, it’s part of the “stuff we never ask”…

So, I kept thinking about it during the sleepless nights when I just can’t shut my thoughts and I keep staring to the dark, with my arms crossed at the back of my neck, wondering…

Then, I slowly began feeling self conscious about my own attitude towards it. By “it” I mean my own perception of life, love, loss and everything related.

When emotions come too strong, I always withdraw to my own private empty space. I think you do it too. Maybe everybody does it… oh, maybe not.
But that’s because when you’re open to these kind of emotions, it’s a little bit dangerous. You might fall into a state where you feel empowered, and oddly enough, at the same time you’re kind of weakened and drained by this “crazy little thing called love”.
And you’re definitely vulnerable. You might get hurt when you love someone… seriously.

Fear of love… I finally understand.

I’ve used to be pretty much a coward when dealing with emotional threats, and I’ve been through some losses and I know how it feels. I know the sour, that’s why I can really enjoy the sweet now.
I could write a thousand words to describe this kind of thing (losing someone you love very much, or at least you think you love). It’s a devastating experience and blah blah blah, but I’ll save the words for some melancholic lyrics I might write one of these days. Let’s put it simple here: it sucks. It really sucks.
And (quoting Carter Webb the main character of In the Land of Women):
“I start to have this massive panic attack, like nothing I’ve ever had, and I think it’s happening because I can never imagine feeling that way about anybody else, ever again…”

Brilliant. That illustrates exactly what it feels like. But life goes on and you start changing.

You start mixing a feeling of anger every time you start falling in love with someone. And you mistreat the person, and despise displays of affection, and you turn into a monster. The ultimate hunter. Believe me or not, people can kind of “sense it”, absurd or not.
The funny thing is that when you start feeling tough and rough, and actually don’t give a shit to anyone but you, people start wanting to see the “nice, sensitive side of you”, when you’re actually trying to kill it. You turn into an egocentric, selfish person who wants to prove to yourself you can be really bad and sexy and seduce every interesting girl (or boy, in case you’re a girl reading this, or whatever) you meet. Better hurt someone than getting hurt yourself. That’s the logic.

And when you go home… surprise! You’re alone. There’s nothing you can do to change it. You are alone in your deepest intimacy. There’s no one with whom you can actually share your life, because you became the ultimate seducer, the ultimate fighter in the love arena. You never lose, you always win.

Unfortunately, for you to win, someone else must lose.
And tragically, the one who lose is someone who probably wishes the best for you, and also deserves the best from you. Someone who is already feeling affectionate towards you. Someone who might even be loving you.
And when you realize, you became a player. You feel no guilt, no shame, no compromise, no responsibility. You’re tough. You’re bold, confident, funny, mysterious, cocky, independent… lonely.

Sadly, you’re playing a game where there can be no real winners if both parts don’t win together. I know I’m sounding like a moralist here, maybe even like your mother or your father, or that older friend of yours, who is wise, experienced and… divorced.

And sometimes when you stop for a while and think about your life, you feel you’re absolutely on your own, no matter how many friends you have, and how many people you meet. And you go out, have a lot of fun and laugh and meet people, but the only real conversation you can have is with a guitar, a piece of paper or a bottle.
Despite all you “social success”, you’ve failed. You are pathetic. You live a lie, an illusion. And now you’re a bad boy, a bad girl. Not only that, you’re a bad person. It feels great, but then and again you feel like shit. And a bit sad sometimes.

But it turns out to be alright. That’s what people mean when they say “Relax, you’ll be alright”. And you will. It might take some time, sometimes a long time in a very long farewell. A very long farewell to the one you loved and the one you used to be. But eventually you’ll wake up and feel alright. More than alright, you’ll feel great.

Again, Carter Webb:

“I’m trying to wake you up! There’s a big fucking world out there. It’s messy, and it’s chaotic, and it’s never, it’s never ever the thing you’d expect. It’s ok to be scared but you cannot allow your fears to turn you into an asshole, not when it comes to the people that really love you, the people that need you.”

I think we should never do anything with the intention of hurting someone. Well, some people deserves to get hurt, and hurt badly, but usually, in general, when you hurt people, specially those who care about you, in long term you screw yourself.
Unless you’re really stupid (I don’t mean being an average moron), but really, essentially, deep in your core, a stupid person… sooner or later you’ll realize it.

Like Alexander Supertramp said:
“I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… but to feel strong. To measure yourself at least once.”

Maybe he was a Nietzsche addict.

And Ron Franz says ( this name reminds me of a nice cappuccino)… “When you forgive, you love. And when you love, God’s light shines upon you.”
It took a long time for Chris McCandless (the real name of Alexander Supertramp) to realize it. Because he had this epiphany while thinking (don’t worry, no spoilers here… I think):

“What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?”

Because, after all

Happiness is only true when it is shared.

How truthful…

But don’t go too deep into this kind of stuff (like Wayne – from Wonder Years – used to say).

A guy used to say these words of wisdom:

“If we admit that human life can be ruled by reason, then all possibility of life is destroyed.”

And Mr. Supertramp again comes with a fucking disturbing quote from Henry Thoreau:
“Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness… give me truth.”

Now, that’s true. I agree a hundred percent with Thoreau.

Damn… wrote all night long, just to say how much I loved these two movies…

I could tell you that you can’t miss these movies, that they are awesome,and so on.

But know what?

I think as a human being, you actually… deserve… to watch it.

Enjoy!